Jogo responsável e o crescimento dessa indústria no Brasil

Publicado em 1 de abril de 2025

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Apostar de forma indiscriminada pode levar jogadores a graves endividamentos, com impactos negativos na família, no trabalho e no convívio social.
Diante desse cenário, Filipe Rodrigues, fundador da Jogo Positivo – um instituto focado em governança e integridade nos esportes – tem se dedicado ao estudo e à promoção do jogo responsável, uma abordagem essencial para o setor de iGaming e apostas. Ele encabeça esse tema crucial, que envolve a implementação de mecanismos que impedem que o jogo se torne prejudicial à vida dos apostadores.

Mas, afinal, o que é jogo responsável?

O jogo responsável consiste em práticas e diretrizes que garantem que as apostas permaneçam como uma forma de entretenimento, prevenindo a compulsão e suas consequências negativas, como ansiedade, estresse, depressão e endividamento.

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“O jogo responsável pode ser expresso de forma racional, sensata e informada de participar de jogos de azar. Ele visa garantir que o jogador não gaste mais do que possui ou acabe prejudicando a sua saúde em detrimento da atividade. Ele não é um conceito anti-indústria e não veta a possibilidade de maior lucro. Pelo contrário, o jogo responsável favorece a reputação das empresas, que mostram preocupação com o bem-estar emocional, econômico e físico dos clientes. Isso faz parte da pauta ESG, da qual as empresas precisam se adaptar com urgência”, explica.

Em casos extremos, há relatos de pessoas que desviam recursos da própria empresa para apostar, causando danos financeiros e reputacionais tanto para si mesmas quanto para o mercado.
Do ponto de vista econômico, enquanto o Brasil tem previsão de crescimento de 1,9% em 2024, o mercado de apostas teve uma expansão de 360% nos últimos três anos. Um estudo aponta que, em apenas um ano, o setor cresceu 135% no Brasil e 38% na América Latina, demonstrando seu forte potencial de faturamento.

Filipe alerta, no entanto, que toda economia tende a se estabilizar em algum momento. Empresas que adotam práticas de jogo responsável conseguirão manter a lucratividade e atrair apostadores de forma sustentável.

Reforçando a importância do tema, a nova regulamentação das apostas no Brasil inclui o jogo responsável entre as quatro principais portarias previstas para 2024.

Medidas para o jogo responsável

O jogo responsável está diretamente ligado ao desenvolvimento do produto. Pesquisas mostram que princípios de jogo responsável podem ser aplicados já na concepção dos softwares.

Em países como Canadá e Inglaterra, foram criadas escalas de “positive play”, que incentivam a criação de jogos mais seguros, reduzindo riscos de compulsão. Além disso, as empresas precisam divulgar informações sobre os riscos do jogo e realizar campanhas de conscientização que reforcem os riscos inerentes aos jogos de azar.

“Apesar dessa conversa de o jogo responsável não ser um discurso anti-indústria, é preciso ser genuíno e verdadeiro. O jogo, em si, é uma atividade sensível. Então, é preciso criar normas e regras”, afirma.

Estudos indicam que cerca de 3% dos apostadores são classificados em graus diferentes de compulsão, comprometendo sua saúde, família, emprego e patrimônio. Para combater esse problema, é fundamental que o governo crie políticas e mecanismos de apoio, incluindo programas educativos e instituições especializadas.

Criação e manutenção de um ambiente jogo saudável
É essencial criar e manter um ambiente saudável, sem ferir os consumidores. E essa questão está diretamente ligada às operadoras, que criarão, dentro da sua plataforma, um ambiente que não seja danoso para o jogador, com botões de exclusão, inserção de limites de apostas, por exemplo, e outras medidas.

Afiliados e suas responsabilidades
Os afiliados também têm responsabilidade sobre a promoção do jogo responsável. A negligência pode afetar sua reputação e até resultar na perda de contratos com operadoras. Além disso, problemas graves podem gerar repercussão negativa na mídia, comprometendo a credibilidade e os ganhos dos afiliados.
Como o jogador pode se proteger?
A autogestão é fundamental. Jogadores devem estabelecer limites financeiros e de tempo de jogo, planejando suas apostas com responsabilidade.
Por fim, Filipe reforça que a educação é a chave para minimizar problemas, ajudando futuras gerações a desenvolver uma relação mais consciente com as apostas e as finanças.