Home Conteúdos O mundo como mercado Publicado em 29 de maio de 2026 *Por Michele Carvalho Comercializar para o exterior sempre pareceu algo exclusivo para grandes empresas com estruturas jurídicas robustas, câmbio controlado e logística internacional, em outras palavras, um território distante para um afiliado ou produtor individual. Mas essa percepção está mudando rápido: segundo o Sebrae, pequenos negócios exportadores cresceram 120% nos últimos dez anos no país. Hoje, uma parte desse movimento acontece de forma completamente on-line, com brasileiros criando marcas, desenvolvendo itens físicos, operando fábricas estrangeiras e recebendo em dólar, sem sair de casa. O que tornou isso possível foi uma combinação de fatores que se alinharam nos últimos anos, como a diversificação de plataformas nacionais com checkout internacional, fábricas globais abertas para pequenos criadores e a força do câmbio. O digital sempre teve seu espaço, no entanto, o físico está ganhando protagonismo e força nesse movimento. Há mais de sete anos nesse mercado, Tiago Silva, diretor de Vendas da Monetizze, conversou com exclusividade com a Afiliados Magazine sobre o cenário e explicou, na prática, como essa logística funciona para quem quer dar esse passo. Confira! O que está impulsionando o interesse de produtores e afiliados pelo mercado internacional? O principal motor é a diferença cambial. Uma oferta vendida a R$ 200 aqui pode ser comercializada a US$ 100 no exterior e com o dólar valendo cinco ou seis vezes o real, gera uma receita muito maior. Isso sempre existiu, mas o que mudou nos últimos anos foi a infraestrutura em torno disso. Antes se precisava lidar com sistemas globais, processos burocráticos e pouco suporte em português. Agora, as plataformas nacionais oferecem toda essa dinâmica com atendimento local, o que facilitou a entrada de novos operadores. Quando falamos em mercado internacional, o foco está no digital ou físico? No caso do on-line, o Brasil atua há bastante tempo, principalmente com a Hotmart. O que está crescendo com força agora é o físico. A combinação de fábricas internacionais abertas para quem é daqui, sistemas nacionais com checkout global e a força da moeda criou um cenário que antes simplesmente não existia. É possível ter uma marca, desenvolver e entregá-lo em boa parte do mundo com uma estrutura muito mais acessível do que antigamente. Quais têm se mostrado mais promissores para quem trabalha com o físico? O americano sempre é forte devido ao dólar, Canadá e parte do México, Inglaterra e, especialmente, a zona do Euro, também são interessantes. Existem brasileiros atuando na América Latina com algum volume, mas pensando em mercadoria mesmo, Estados Unidos e Europa são os principais. No produto digital, o cenário é diferente, temos clientes vendendo bem para Índia e Japão, países completamente distintos entre si. Hoje não existe mais limite de linguagem ou financeiro para chegar nestes destinos. Leia mais Influência é transformar atenção em autoridade Existe diferença entre o comportamento do consumidor brasileiro e o internacional? Como isso impacta a estratégia? Há diferenças culturais, de fuso horário e formato. Subir uma campanha à meia-noite aqui é uma coisa, em outro país requer mais atenção e estratégia. Outro ponto importante é a escrita, nós temos uma criatividade muito boa para criar VSLs e arquitetar ofertas, mas não basta traduzir o conteúdo. A IA ajuda, mas o texto precisa estar formatado com o que o público que se pretende atingir está acostumado a ver. O checkout também muda, os meios de pagamento, informações exibidas, tudo isso é diferente e precisa de cuidado. Qual é o principal erro de quem tenta entrar no segmento despreparado? Sem dúvida é começar como produtor, porque validar uma oferta nacional custa bem menos do que lá fora. No internacional temos casos de clientes que gastaram entre R$ 100 mil e R$ 300 mil para isso, então, quem entra acreditando que replicará o mesmo processo daqui com um orçamento pequeno, é frustração na certa. O caminho mais seguro é iniciar como afiliado de um item testado, aprender como o funil funciona, fazer as primeiras vendas e só depois considerar ter o próprio produto. A ideia de “zero barreiras” é real ou ainda existem desafios relevantes nessa operação? Elas caíram muito e de forma verdadeira. Uma pessoa pode acessar um sistema que vende para o mundo inteiro, conectar-se a fábricas que entregam em dezenas de países e usar IA para superar a barreira do idioma. Antes, isso simplesmente não existia dessa forma, mas o que não pode ser ignorado é que é outra cultura. O que funciona aqui pode não dar certo no exterior, e vice-versa. Testar criativos pensando na cultura local, entender os horários, adaptar a promessa, tudo isso ainda exige preparo e investimento maior do que muita gente imagina. Há vantagens fiscais em executar internacionalmente? Sim, e essa é uma das que menos se fala. No Brasil, paga-se imposto sobre todo o valor transacionado e tem ainda o do Facebook, que representa 13% e é repassado ao produtor. É possível abrir uma LLC (Limited Liability Company), uma empresa nos Estados Unidos, por exemplo, e ter a conta da rede social vinculada a ela. Com isso, não incide esse tributo sobre o faturamento e ele paga apenas sobre o dinheiro que traz para cá. É algo completamente legal e que melhora significativamente a lucratividade da atividade. O que mudou tecnicamente nas plataformas nacionais para viabilizar essa globalização? O grande salto foi deixar de receber tudo em real. Antes, a venda era em dólar ou euro, mas o valor era convertido e creditado na moeda local. Agora, com a operação via empresas estrangeiras, a conversão melhorou. Além disso, foram adicionados meios de pagamento que fazem sentido lá fora, como PayPal, Apple Pay, Google Pay, Stripe Link, Click to Pay. A Monetizze está incluindo, em média, dois deles por mês para diferentes países, assim a pessoa não precisa se preocupar, só ativar as formas de pagamento disponíveis e o hub cuida do resto. Por onde um afiliado deve começar no mercado internacional? E quando faz sentido dar o passo para produtor? O ponto de partida ideal é pegar uma oferta de produto físico já consolidada internacionalmente, trabalhar como afiliado, aprender como o funil funciona e fazer as primeiras vendas. Isso dá uma base muito mais sólida do que tentar criar uma marca do zero sem conhecer as regras do jogo. Depois, se o objetivo é ter o próprio produto, o caminho passa pelas conexões certas com fábricas e estruturas de fulfillment, e a plataforma pode fazer essa ponte. Mas vale dizer: tem quem prefira continuar como afiliado porque foca no que é bom, tráfego e funil, e às vezes ganha mais do que sendo produtor, sem precisar carregar toda a estrutura de uma marca. Leia a edição completa de Afiliados Magazine 2026 Relacionadas Internacional Mercado de afiliados: Brasil x Estados Unidos As empresas de maior sucesso nem sempre são aquelas que agradam a todos, mas...